terça-feira, 8 de março de 2011

Lágrimas hoje caem
Entre sons de uma doce ilusão
Calmo, o meu dia é cinza
Derramo a chama em seus olhos
Devolvo a lama em meus lençóis
Adormeço em seu silêncio repugnante
Entre respirações cor de sangue
E o passado acorda no instante
Que levanto para apagar a luz...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O dia em que vi Ella

Naquela tarde eu estava sentada em uma cafeteria, Ella apareceu... sentou-se e pediu também um café. Eu estava tão triste, mas para Ella não importava, pois parecia estar tão triste quanto eu.
Essa cidade é tão grande, eu dizia enquanto misturava o açúcar num espresso duplo. Ella me olhava, mas era como se fosse mais que isso, Ella me parecia sempre distante, sempre com o brilho do olhar em outro lugar.
Eu a escutava, concordava com suas palavras, com seus planos, e misturava o açúcar no café. Era como nos velhos tempos, passar a tarde inteira conversando e tomando muito café. E tudo isso era tão inesperado, nem sabia que Ella estava na cidade.
Ella falava sempre mais, muitas vezes eu falava, muitas vezes acenava com a cabeça em sinal de aprovação e misturava o açúcar no café.
Depois de algumas horas saímos para caminhar, como nos velhos tempos, sem nenhuma palavra pronunciada, apenas passos e silêncio.
Caminhamos por inúmeras ruas, sem uma palavra dita e sem um olhar entre nós. Depois de muito pensar resolvi falar algo, virei o rosto para o lado, mas Ella não estava mais ali em minha companhia. Deve ter dobrado em alguma esquina sem eu perceber, pensei.
No outro dia retornei à cafeteria e lá estava Ella. Sentei ao seu lado e pedi um café, ela sorriu. Seu sorriso era calmo e seu olhar era distante, como se brilhasse em outro lugar.
Eu apenas a ouvia e misturava insistentemente o açúcar em meu café...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Todos os bares já estão fechados e as prostitutas já estão na esquina
O tempo corre rápido demais, acho que perdi a hora
Com apreço, apresso o passo
Quase corro, mas nem tanto
Telefones públicos indicam o caminho
Quase falo, mas nem tanto
Persigo insistentemente algo
Mas está encoberto, não vejo
Carros e pessoas ofuscam meus pensamentos
Quase choro, mas nem tanto

domingo, 19 de dezembro de 2010

Travesseiro de vento

Tarde cai a tarde
Estou sentada sem meu travesseiro
Ventos que levam
A qualquer lugar
Longe de meu lar
Tarde cai
E fecham-se os olhos
Encobrindo frases
Que um dia disseram muito
E fizeram sentido
Longe, distante e só...

domingo, 29 de agosto de 2010

O que fazes tu, sentada nessa pedra fria?
Não vês a noite, que foge por entre os dedos finos que perdeu seus anéis?...
Mas então, esqueces que os dias serão apenas lapsos na memória
E que cada pequeno fragmento do tempo não formará uma lembrança concreta?
E continuas sentada na mesma pedra fria...
Na margem da falta, no silêncio daqueles que sabem calar
Não sentes mais os primeiros raios nascentes
Desaprendeste a melodia daquela antiga canção
Que entoavas nas horas de sono
Estás muda e estás só
Pois a pedra apenas comporta teus pés
E não será nada mais além.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Há alguns anos

Sinto alguns passos estranhos
Sinto como se a vida tomasse um novo rumo
Não mais obscuro, nem inseguro
Sinto, depois de tanto tempo, o futuro!
Que lugar estará o meu sonho?
Em algum caminho desconhecido... Jamais pisado?
Por onde andei não deixei rastros!
Paro e reflito.
O que seria longe e real?
Ou o que teria em tuas mãos... Um final?
Não mais poderei correr e me esconder do inevitável
Improvável e doce sensação de desconforto
Lamentável e áspera face do desgosto
Como sabes sentir dor...
Tempo sublime de esperanças de um acaso
Que traga sem buscar
Com frases infindáveis que escorram de lábios
Que saibam escutar sem despertar rancor
Que caia o véu sem qualquer disfarce, ilusão ou esperança
Somente caia, sem qualquer contraste, solidão ou lembrança...

sábado, 29 de maio de 2010

Palavras...
Assim começa.
Assim termina.
O tempo diluído em pequenos fragmentos... tudo será pó.
Diante de muitos olhos, apenas as sombras serão companheiras
E todos aqueles que acreditaram... todos aqueles estarão sós...