Naquela tarde eu estava sentada em uma cafeteria, Ella apareceu... sentou-se e pediu também um café. Eu estava tão triste, mas para Ella não importava, pois parecia estar tão triste quanto eu.
Essa cidade é tão grande, eu dizia enquanto misturava o açúcar num espresso duplo. Ella me olhava, mas era como se fosse mais que isso, Ella me parecia sempre distante, sempre com o brilho do olhar em outro lugar.
Eu a escutava, concordava com suas palavras, com seus planos, e misturava o açúcar no café. Era como nos velhos tempos, passar a tarde inteira conversando e tomando muito café. E tudo isso era tão inesperado, nem sabia que Ella estava na cidade.
Ella falava sempre mais, muitas vezes eu falava, muitas vezes acenava com a cabeça em sinal de aprovação e misturava o açúcar no café.
Depois de algumas horas saímos para caminhar, como nos velhos tempos, sem nenhuma palavra pronunciada, apenas passos e silêncio.
Caminhamos por inúmeras ruas, sem uma palavra dita e sem um olhar entre nós. Depois de muito pensar resolvi falar algo, virei o rosto para o lado, mas Ella não estava mais ali em minha companhia. Deve ter dobrado em alguma esquina sem eu perceber, pensei.
No outro dia retornei à cafeteria e lá estava Ella. Sentei ao seu lado e pedi um café, ela sorriu. Seu sorriso era calmo e seu olhar era distante, como se brilhasse em outro lugar.
Eu apenas a ouvia e misturava insistentemente o açúcar em meu café...
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
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3 comentários:
Bela prosa.
Oi, quanto tempo!
Estive aqui e deixo registrado meu abraço...
Oi Giane, quanto tempo mesmo hein! Um abração pra ti também :)
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